Histórias com final feliz #1

teste número dois




teste número dois pequeno-almoço:

- scones quentes 







                                           
# a pedalar na corrente #


# pedalar com a corrente #



# pedalar contra a corrente # 

teste número um




teste número um pequeno-almoço:

- brioches
- queques (de coisa boa)
- pão (de trigo)
- compota (de uma coisa laranja)
bebida a gosto





reinterpretação de foto de Heidi Specker


Heidi Specker (click)

Enquadramento #1


Este espaço não é idóneo. Este espaço é inconstante e bipolar. Este espaço não é de confiança e nem tudo o que lá se diz é verdadeiro (é apenas sentido). Este espaço é tendencioso e dado à censura. Se este espaço pudesse criava jobs for the boys (ou pelo menos para a girl, ela própria prestes a dedicar a vida aos jesuítas a ver se um dia chega a papa). Este espaço tem ética própria e maleável. É provável que este espaço tenha ligeiras tendências cinéfilas. É certo que este espaço é propenso a lobbys para amigos que fazem coisas e cenas. Este espaço conhece um grupo de gente que criou uma publicação online que se chama “Enquadramento” e que, uma vez por mês, lança um extenso e intenso texto sobre um realizador pouco conhecido, de qualidade louvável. A qualidade da referida publicação é independente de todas as caraterísticas deste espaço, referidas anteriormente. 







Capa: José Feitor (click)
Música: Minta & The Brook Trout (click)

              i know you wish you could just run but, honey, so does everyone 




Silvestre Zamith (click)

num dia 7

desta janela eu via uma barragem



A avó Lucinda estava sempre a sorrir, mas quando a conheci já não tinha nenhum dente na boca. Por causa disso, a sua casa de banho era habitada por uma assustadora dentadura de 32 dentes, que vivia num copo de vidro. Uma espécie de T0 envidraçado, com vistas para o lavatório. Esta dentadura aterrorizava-me as visitas à casa de banho.

Um dia perguntei-lhe porque não usava a tal dentadura na boca e, assim, libertava o copo T0 com vistas panorâmicas. Disse-me que a dentadura não a deixava rir com o tamanho todo da boca, por isso preferia ter um sorriso maior, do que ser mais bonita. Não insisti e percebi o que ela já sabia.

“Retrato de família” é uma viagem, através de objetos, pelas memórias do tempo passado na casa da avó Lucinda. Depois desta visita, num dia 7 de um mês qualquer, uma barragem rompeu-se e o rio ocupou todo o tamanho do leito original. Desde então corre tranquilo e sereno, em direção à foz.

Para "Filhas da Mãe", na Casa da Cultura de Fafe, de 8 a 28 de Março.

peça # 1 unicórnio dourado


concluída a primeira peça com sucesso (e dedos intactos): unicórnio dourado, (unicamente) para guardar pão.


Como se escreve Caterpilar?


Uma vez peguei num diário de quando tinha 13 anos e, ao lê-lo, percebi que concretizei quase todos os desejos que tinha nessa altura. E os dos anos seguintes. Mesmo os que me pareciam impossíveis e difíceis: estava quase tudo feito! Desta lista, só ficou por concretizar “desejo 243 - namorar com o Tom Cruise”. A Nicole e a Kate devem ter as energias cósmicas mais afinadas e passaram-me a perna, mas não guardo ressentimentos. Pelo contrário (MESMO), até porque entretanto esse desejo já prescreveu (espero).

Em tempos confessei neste diário espaço caderno blogue que um dia, apesar de ter 2 mãos esquerdas, com 3 dedosengolidos por tubarões (1 dedo e meio por mão) vou fazer vestidos”. Estou contente por não ter insinuado outra coisa qualquer que requeresse um caterpilar ou um tanque de guerra, porque me nasceu, espontaneamente, no escritório, uma máquina de costura. Daquelas portáteis e feitas de plástico. Mas quando olho para ela vejo uma bela Singer, intransportável e feita de metal, como a que a minha tia O. tem e com a qual passou os últimos 50 anos a fazer coisas.





Mentalmente fiz logo 2 vestidos de comunhão, 1 vestido de noiva (que ainda precisa da prova final para ser terminado), um casaquinho de cão (cor-de-rosa), fiz duas bainhas de calças (uma de ganga e outra de bombazine) e reparei uma camisa rasgada há 7 meses, preguei os botões numa outra e, no fim disto tudo - nada era para mim - fiz o meu *casaco de sonho* em tweed, com um forro de cetim colorido e uns apliques em croché. Tudo isto em 33 prazenteiros segundos.

E pronto, depois da alegria inicial e de ter beijado e lambido e abraçado a minha nova colega de mesa, percebi que eu não só nunca meti a mão numa máquina de costura (nem para a mudar de sítio), como sou um desastre para manualidades. Ou para os labores domésticos no geral. Só gosto de fazer bolos (para os comer).

Como sou muito otimista (quase sempre, mesmo em dias de chuva e alerta vermelho) achei que, quem sabe, olhando para ela tudo fosse intuitivo (como as coisas na net e tratar de bicheza). Não é. Nem com manual de instruções. Sinto-me como se me tivessem oferecido um emprego como condutor de naves espaciais, que agora não posso recusar. E isto faz-me recuar aos tempos em que andei a tirar a carta, que me parecia uma tarefa impossível. Hoje até carros de Fórmula 1 conduzo, como quem anda de bicicleta: com muito profissionalismo e segurança (todos os comentários desfavoráveis sobre a minha condução serão censurados. O blogue é meu e eu invento o que quiser).

Posto tudo isto, fui procurar ajuda profissional externa e, com muita pena minha, descobri assumi que eu, afinal, não sei tudo. Na verdade, não sei nada.

Resolvi ir beber à fonte e pedir socorro a uma senhora que anda nesta lides há, tal como a minha tia, 50 anos e tem 7 máquinas de costura profissionais. Estes números só podem ser sinal de boa coisa. Começou com um questionário para avaliar o meu nível:

- Que máquina tens?
- Uma pequena e branca de uma marca espanhola. Não me lembro o nome, nem o modelo. Mas é assim deste tamanho < ---------------------------- > e tem uma rodinha e um pedal... preto.

- E que tipo de pontos ela faz?
- Há mais que um?

- Quantos carretes traz a máquina?
- O que é um carrete?

- Que agulhas gasta?
- ...
(aqui comecei a dar sinais de olhos lacrimejantes e lábio inferior trémulo)

- Que experiência tens com a costura?
- Sempre enfiei as linhas nas agulhas da minha mãe. Vai desistir de mim?

- Não. Começamos na próxima semana. Vamos pensar num projeto simples para começar. Já sabes o que queres começar por fazer?

- Queria um unicórnio dourado, com brilhantes incorporados, que servisse de carteira, chapéu e casaco e que, quando não estivesse a uso, aspirasse e fizesse bons assados. Queria ainda que na Primavera cavalgasse pelos prados e fosse comigo ao cinema. Que gostasse de Belle and Sebastian e de todos os seus primos musicais. Que me ajudasse na depilação e me esticasse o cabelo. Que soubesse português, inglês e latim e desse uns toques de mandarim e italiano. Que dominasse a filosofia grega e a alemã dos finais do século XVIII. Que me revisse os textos e gostasse de chocolate. Mas que quando não estivesse a fazer nenhuma das coisas anteriores, servisse de almofada. Ou enquanto as fizesse, também podia ser.

Se não der, queria fazer uma saquinha para o pão.