Poesia poética de poeta


Não gosto de poesia. Quer dizer, gosto de ideias poéticas, imagens poéticas, objetos poéticos e até textos poéticos, mas poesia assim como a escrevem os poetas: com linhas curtas e estrofes e, às vezes, rimas não gosto. Não foi por falta de esforço. Não é como as anchovas e as favas, que comi uma vez e nunca mais lhes meti o dente. Não. À poesia voltei inúmeras vezes, fazendo um esforço, tentanto entrar em "modo poético": esvaziando a mente, abrindo a alma e toda a tralha poética que ajuda a gostar de poesia. Fiquei por dois poetas de quem gostei de forma moderada, ao ponto de comprar os livros (ou ofereceram-me?) e consultá-los um número limitado de vezes, que talvez se conte pelos dedos das mãos.

E depois uma fatalidade aconteceu-me. Um dos meus melhores amigos virou poeta e escreveu um livro. O destino prega-nos partidas. Já sei que tendo eu esta deficiência poética seria fácil dizer-lhe: "Desculpa, melhor amigo, mas não gosto de poesia, por isso não vou ler o teu livro". Era fácil. Mas a amizade obriga-nos a fazer coisas por amor e li o livro. E até gostei (note-se o até). Em particular de dois poemas. E depois o amigo fez um blogue (este) onde o visito quase diariamente. E quando dei por mim emocionava-me (sem lágrimas, mas com sorrisos) com o que ele escrevia. E pronto, tive de assumir que afinal gostava de poesia. Pelo menos de uma grande parte da dele.

Escreve coisas que te fazem dizer "uau", como esta:

Não caber não é mais
que uma forma deselegante
elefantina de morrer.

Na verdade, comecei por escrever este post unicamente para dizer que ele tem uma exposição de fotografias de sapatos perdidos e poesia em Tondela (Viseu). Quem passar por lá que a visite. Era para dizer só isso, mas depois... a amizade tem destas coisas. 

Antes poesia, que anchovas e favas. 








Estranha normalidade




Um dos espaço mais interessantes de Madrid é um antigo matadouro industrial de gado chamado Matadero Madrid. Os seus cerca de 12 hectares e arquitetura industrial de fim do século XIX - que se mantém intacta -, albergam propostas artísticas transversais e contemporâneas. É um local que merece ser visitado enquanto espaço e, claramente, pelos trabalhos que acolhe.

Recentemente passei por isto.

"El colectivo Biernes y Matadero Madrid han creado un programa de actividades, bajo el nombre Lo normal es muy raro,  para fomentar el uso de la bici: exposiciones, carreras, conciertos, DJ´s, exhibiciones, torneos, mesas redondas, proyecciones, paseos y talleres para todos los públicos. 
Diez semanas para cuestionar la forma en que nos movemos. Diez semanas para celebrar la cultura de la bici.
 
Lo normal es muy raro se articula alrededor de una exposición de retratos fotográficos de personas y de bicis pero también de mensajes que exponen y cuestionan nuestra habitual manera de desplazarnos, poniendo sobre la mesa el asumido modelo de movilidad que adoptamos y padecemos acríticamente. Está diseñada por Viernes (comunicación socialmente responsable) y realizada por el fotógrafo Eduardo B. MuñozComo pretenden todos los proyectos de Biernes, esta es una nueva excusa para que cojas tu bici y vayas a un sitio."
 
fotos de fotos by drimi@madrid


ontem ofereceram-me o que é, até à data, a melhor prenda de 2012. um caderno igualzinho ao que eu tinha no 5º ano para Língua Portuguesa.

Ensaboadela




não gosto muito de gel de banho, nem de sabonetes líquidos e afins. compreendo que poderão ser mais práticos, às vezes também os uso e não me aborrece, mas parecem-se também mais artificiais e por isso uso sempre sabonetes. quanto mais naturais, melhor. nunca pensei muito no assunto, nem o racionalizei demasiado, é só uma coisa que faço.

até que

numa das passeatas pela blogosfera descobri um designer que tem um trabalho muito muito interessante e um deles passa, exatamente, pela atualização aos tempos modernos do uso dos sabonetes! vale a pena espreitar aqui (click).

também achei piada ao aspirador automático (click), às tomadas partilhadas (click) e já não me lembrava de ficar encantada por um objeto - na verdade - inútil como este memo block algures nesta página (click).

serão bem passado com o Dave.

 

 

10 quilos de património


o restante património aqui (click)

domingo

It's Sunday today, but it feels more like a "generic" day-or rather, it feels like what days must have felt like before we invented the seven days of the week. Imagine waking up in the morning and not knowing what day of the week it is. What a strange sensation that must have been. 

Hmmm-what day of the week is it? It's nothing. It's merely a day, a plain old day with no labels or meaning or anything. 

The Gum Thief, Douglas Coupland 

32.8


Plaza de Tribunal, Madrid
peça 32.8
 

 
The Cactus Plant (Interior Detail of Portuguese House, Truro Massachusetts), 1930

              
 
do americano walker evans
quem foi (click)

do irlandês gareth mcconnell
mais aqui (click)
 
 
My Grandfather's House, 2002
 
Photographs of interiors and details from a deceased relative's home, shortly before the contents were cleared for auction. The interior of the house is shrouded in darkness while outside daylight prowls. A distressed 1960s aesthetic; flock wallpaper, florid soft furnishings, chintz and kitsch in the form of a life's belongings, with all their intimate associations fall out of focus. The centres of domestic life; the kitchen sink, the bedroom, the dining table, the couch are emptied of familial presence and activity. They become diffused in an insistent light that strikes through blinds and curtains. Absence pervades, memories and daydreams form, drift and dissolve into a relentless present. 

Interiors and details from an abandoned undertaker's premises in Carrickfergus. The remains of rooms, where the deceased were prepared for burial, are preserved in their own state of decay. Damp walls rot, plaster cracks, papered surfaces succumb to fungal patina. Details on interior fittings echo images of the delicate trim on burial garments, palls and drapes. Almost all of these funereal rooms are tended by flowers. Flowers, and their abundant symbolisms, stretch through spaces mired in the conventions of death.
 

últimas notas mentais de 2011

 
citrinos de amigos docinhos


 raios, menos sombras 


 ideias brilhantes (click)


 fotografias, d'outros (click)


  campos gelados vistos de casas quentinhas 


 elementos ex(r)óticos 
silêncio


 podas românticas 


intuição

2012 sucrée


ontem, mandaram-me uma prenda de natal virtual espetacular. acho que o designer - apesar de inglês - se inspirou nestas loiças da Marinha Grande, que qualquer avó portuguesa tinha em sua casa, há uns anos. tinham várias funções e formatos. a da minha avó tinha sucre aos cubos. a minha também, mas é açucar e granulado.

sucre aos cubos é uma seca, porque não é possível controlar à miligrama a quantidade exata de doçura que se quer na bebida. 

estava com dificuldade em arranjar desejos e decisões para o ano novo. esta prenda virtual veio facilitar. quase que dei por mim a decidir fazer mais exercício, fazer dieta, ser melhor pessoa todos os dias e querer paz no mundo. salva por uma unha negra. ou por um link imprevisível.

UK designer Stuart Melrose (click) aqui (click) em 2012


do japonês rinko kawauchi
mais aqui (click)


Gosto de janelas. Dão jeito quando se fecham as portas.


da sueca Annette Pehrsson
 mais aqui (click)






de "Encontros em NY"
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