Miss D.

Há dias que ando com um segredo a esmagar-me o peito: é provável que eu tenha super-poderes. Tenho acompanhado alguns super heróis desde que sou pequena, mas nunca pensei: E se fosse comigo? Pensamos que estas coisas só acontecem aos outros, mas não. Sou uma super-heroína.

Há uma semana levantei-me às 4 da manhã em estado de sonambulismo total. Fiz uma viagem de carro de 50 km noite dentro para chegar ao aeroporto e apanhar o voo das 6 da matina, estacionei o carro e acordei (sim, por esta ordem). Enfrentei uma fila gigantesca para passar o controlo do aeroporto, aguentando estoicamente gente que se me colava nas costas (na fila). Sentei-me a comer um croissant e um café e levei com o café do senhor que estava sentado na mesa ao lado, que ainda devia estar a dormir, ao contrário de mim que acordei mal estacionei o carro. Depois enquanto saboreava o meu café matinal, com as pernas ainda quentinhas do café alheio entornado, desejei ardentemente que o meu voo fosse cancelado e eu não pudesse viajar e consequentemente pudesse faltar ao trabalho com uma desculpa plausível e de consciência tranquila. Dito e feito. Não voei.

Passei o resto da semana a arranjar motivação para ir ao Yoga. Hoje não, porque tenho mesmo que trabalhar. Hoje não, porque tenho mesmo que arrumar estas gavetas. Hoje não, porque não me apetece (tal como das outras vezes). Ops, hoje esqueci-me (claro). Até que chega o último dia da semana e penso: “Bem, tem mesmo de ser. Ando a pagar e até me vou sentir melhor depois. E o que custa é sair de casa. E vais ver que até te divertes e não custa assim tanto, afinal já não vais há 2 meses e andas a pagar... Não me apetece. Não vou. Vou. Não vou. Vou atirar esta moeda ao ar, se sair cara vou, se sair coroa vou para o sofá. Merda, saiu cara. Vá, à melhor de três... Merda, cara. O universo está a dizer para ir.” Vesti a fatiota sexy, saí de casa e, a caminho, desejei ardentemente que a aula tivesse sido cancelada. Guess what? Exato! Cancelada.

Duas vezes na mesma semana. Até a mim me está a custar aceitar esta nova vida, onde tudo o que desejo acontece! Vou começar já a desejar que a projeção do filme “As Aventuras do Tintin”, mais logo, saia gorada.

Ainda não estou a par do protocolo super-heroína, mas acho que neste caso não é exigido um super-fato! Pena…

i ♥ ny


ando viciada nesta música♥

se tivesse que dar outro nome a esta música chamava-lhe: eu, tu e o gato (no sofá.cama)

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♥roubado (click).

fauna estrangeira


sabe bem constatar o óbvio: chegou o outono. tenho a certeza que hoje é a ideia mais difundida pelo ciberespaço. é sempre bom fazer parte de uma maioria iluminada.

saí de casa, molhei os pés e fui tomada por um desejo. este ano quero um calçado de Gore-Tex. mesmo que seja feio.

Gore-Tex é um animal que cresce no canadá.

Tempo es lo que no falta!

Sem querer fui parar a um workshop de fotografia promovido pelos Encontros de Imagem.
Era dado por Vari Caramés, um fotógrafo galelo. De lá trago um caderno cheio de frases bonitas, ditas por alguém que claramente é apaixonado por fotografia. Não há nada mais inspirador do que ouvir falar um homem apaixonado.




Trago também um pequeno livro com o seu trabalho, que se chama "La Boda, 2002" que teve a amabilidade de nos oferecer.
Terminou o workshop dizendo, numa mistura de galelo e português e, com uma grande gargalhada: "Hay tempo. Sempre hay tempo. O importante é pasarlo bien y não fazer daño na cabecinha".

Ficam algumas fotos dele, escolhidas aleatoriamente. Vale a pena procurar mais.






 (...)
Nas miñas fotografías hai inevitabelmente unha fixación: a xanela, que é, na maioria dos casos, imaxinaria.
Xanela como símbolo do mirar, do esculcar, do ver o mundo, ou a vida como "a través de", "de dentro cara a fóra", "de fóra cara a dentro".
Creo que nunca se mira o suficiente ao fondo das cousas, nin tan sequera á superficie, e é en todo isto onde está a maxia, o soño...
(...)
Opino que todo está feito e inventado hai tempo. Polo tanto sobran definicións, fórmulas, estilos, etc.
Particularmente sinto unha fascinación especial polo intemporal, indefinido, etéreo e vello. Nunca me gustaron os traxes novos. Prefiro as abstraccións e os defectos con efectos.
O misterio é a néboa das cousas, de todo o que nos rodea. Encántame o que non podo ver. Quédome co íntimo, cun aroma, unha fragancia, unha ausencia.
Todo isto non son máis que contradicións pero precísoas para poder vivir. Poida que a vida sexa unha especie de álbum de lembranzas no que cada páxina está preñada de existencias.
¡Oxalá que nunca falten as existencias!

Vari Carames

fome faz frio


Quando chega o frio gosto de comer. E gosto de comer, de uma maneira geral. Mesmo com calor.

Descobri a beringela recentemente, quando em 2002 a minha amiga Patrícia levou para o trabalho uma beringela recheada, feita pela mãe. Nunca mais esqueci a beringela e de vez em quando tento fazer receitas. A mais fácil e rápida é a grelhada. 


Cortar as beringelas em rodelas médias
Temperar com sal grosso
Usar um guardanapo para untar uma sertã com azeite
Colocar as rodelas e colocar em fogo médio
Tapar a sertã, quando estiver tostada virar e colocar manjericão, rodelas de banana e sementes de sésamo por cima da parte já tostada
Esperar até tostar do outro lado




Adoro panquecas. Quando não tenho recheio para elas coloco quadradinhos de chocolate, quando ainda está o lado B a cozer. As panquecas fazem-me lembrar os USA.

receita dos sonhos

Descobri neste livro a materialização de um aparelho incrível, que existe em várias formas: "…uma terrível máquina de roubar a metafísica aos homens." 

Acho maravilhoso e mal saia à venda compro uma. Branquinha, para fazer conjunto com o iPhone! Se não for muito caro, compro também esta esfregona rotativa que vi esta madrugada num programa da televendas e que me parece funcionar mesmo. Principalmente às 5 da manhã. 

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cumpri um sonho de longa data. fiz biscoitos de aveia.

conclusão: receita dos sonhos vem em forma de biscoitos de aveia.
ainda bem que não fiz sonhos. é difícil comer a metafísica. ao contrário de roubá-la.


                                                                                                                                                                                                drimi@biscoitosDaveia2011

9 às 6


Durante o período de cerca de um ano, tive um emprego das 9 às 6. Todos os dias acordava à mesma hora, apanhava o mesmo metro e fazia o mesmo percurso, de segunda a sexta-feira. Passava por centenas de pessoas diariamente e fixei uma delas. Encontrava-a no percurso do metro ao trabalho e ela fazia o percurso inverso. Talvez morasse por ali e fosse apanhar o metro. 

Era uma senhora um pouco mais velha que eu, magra e elegante e sempre muito bem vestida. Levava sempre uma pasta de couro. Todos os dias tinha o mesmo aspecto sereno e concentrado, nunca parecia ter-se deitado mais tarde do que o costume, ou estar de mau humor, ou de ressaca ou aborrecida.

Não encontrá-la significava que, ou eu ou ela, estávamos atrasadas ou uma de nós estava de férias.

Logicamente nunca nos cumprimentámos e, pelo que me lembro, nunca cruzámos olhares. Nunca percebi se ela me reconhecia diariamente, como eu a reconhecia a ela. 

Passaram mais de 5 anos desde que me cruzei com ela pela última vez e quando fui para o emprego no último dia e passei por ela lembro-me de pensar: “É a última vez que a vejo. Será que vai notar a minha falta?”.

Nunca mais pensei nela.

Há dias dei por mim a fazer o mesmo percurso, por outros motivos, e passei por ela. Ela olhou para mim e sorriu.

Perguntas complicadas, respostas simples. É o que diz o J.

picolé


queria isto e depois já não peço mais nada até ao natal.

está aqui.

as histórias crescem nas árvores





  

















Descobri um aparelho que faz o mesmo que os meus olhos. É uma máquina fotográfica que olha para o azul e diz que é branco, olha para o amarelo e diz que é branco, olha para o preto e diz que branco. Depois calibra toda a realidade circundante a partir daí.Do branco.

Desse branco nascem as minhas histórias e às vezes as histórias crescem nas árvores.





Manual de instruções para veres as tuas histórias:

- Clicar numa imagem. Ir ao Youtube, ou site similar, e procurar um som. Evitar canções. Ver com os ouvidos as histórias que crescem nestas árvores, e que estão para além das imagens. O som serve para distair os olhos a ver melhor. As fotografias são só uma desculpa.

- Número máximo por pessoa: 2 histórias, com duração máxima de 3 minutos cada história.

- Se a história for boa recomenda-se lavar as mãos no fim (com um sabonete ou gel de cheiro aprazível) e lembrá-la durante o dia levando as mãos ao nariz, recordando através do olfato. Aconselhável reter o odor na memória para o futuro.

- Se a história for desagradável, navegar pela Internet em busca de sites bonitos e simpáticos.

paixões outonais

não sei se é por causa desta reedição de primavera 2011, cheia de sol e pássaros em pleno outono, mas por estes dias ando com tendência para me apaixonar perdidamente.

há dias apaixonei-me por uma imagem. No G noc  noc. Infelizmente não a consigo localizar. Por isso guardo-a na memória.

hoje quando acordei dei de caras com um novo poema do J e fiquei sem palavras. Porque na verdade elas estavam lá todas. Eram poucas, mas nelas cabia tudo. E era assim:


Não caber não é mais
que uma forma deselegante
elefantina de morrer.
 
Pedro Carreira de Jesus, Inédito, 2011
 
aqui há mais.

e depois lembrei-me que no verão também me apaixonei por uma voz. E pela forma de cantar. E confesso que nem gosto muito de fado. Mas senti-me aconchegada e numa envolvência familiar e confortável. E tinha-me esquecido disso. E era este senhor.
 


e é isso. devo andar a acumular paixões para o inverno que aí vem.

A volta ao mundo em 523 dias

Há muitos anos atrás, numa cidade não muito distante trabalhei em alguns projetos com uma rapariga, que acabou por se tornar minha amiga. Chama-se Alicia Sornosa e recordo os tempos que passámos juntas, como momento de intensa diversão. Ainda que fosse na labuta!

Passei os últimos 7 anos sem a ver, mas mantivemos o contacto frequente e quase nos encontrámos várias vezes durante este tempo. Um compromisso de última hora, um trabalho, uma tempestade de neve, um voo cancelado e outros contratempos tornaram o encontro inviável.

Há dias almoçámos juntas e apesar de irmos trocando umas ideias durante estes anos (obrigada Internet),  não estava a par de nenhum detalhe da sua vida. 

Foi com espanto que soube que no dia seguinte ao nosso almoço iniciaria uma viagem de moto, durante um ano e meio, pelo mundo. A ideia é seguir a rota dos exploradores espanhóis esquecidos e desta aventura resultará um livro, um documentário e relatos em vídeo e texto neste blogue:


A acompanhá-la neste projeto vai um amigo, com uma vasta experiência nestas andanças. Ela será a primeira mulher espanhola a dar a volta ao mundo de mota.

Para trás deixa a casa, a cidade onde sempre morou, o trabalho, os amigos e, o pior de tudo, a sua cadela Tai.

Vou seguir as suas aventuras pela Internet. Isto é quase tão ousado como fazer um penteado num cabeleireiro, sem antes perguntar quanto é.


drimi@santiagoDEcompostela2011

História cabeluda

Quando recebo um convite para ir a um casamento a minha reação imediata é de felicidade e sinto-o como um elogio: duas criaturas que vão celebrar a oficialização do seu amor, junto aos seus entes mais queridos, incluem-me nesse restrito grupo (que pode chegar às 500 pessoas).

Poucos dias antes da festa (entre 1 a 2), entro em pânico. O que vou vestir? E se estiver frio? E se chover? O que vou calçar? Tenho carteira a combinar? Que acessórios levo? O anel combina com a pulseira? Devo levar anel e pulseira ou só anel? Será demasiado? Os sapatos magoam-me? Muito? Pouco? Estão engraxados? A lista pode ser interminável... 

Uma das questões que nunca me preocupou demasiado foi o penteado: lavado e seco em casa, de preferência bem esticadinho.

Como a minha mãe me tem dito, quase diariamente, que já estou a ficar uma mulherzinha, a última vez que fui a um evento desta natureza decidi ir ao cabeleireiro “fazer um penteado”. Como detesto o look “recém saída do cabeleireiro”, quando o senhor me perguntou: “O que vai fazer?” eu respondi “Apanhado, mas meio despenteado, está ver?” Ele acenou com a cabeça positivamente, mas à medida que o processo avançava, percebi que não.

Pouco interessa o resultado. Depois de algumas indicações, à minha medida, acabei com um trança daquelas “embutidas” e uns pêlos rebeldes aqui e acolá. Satisfatório q.b.

Meia hora depois do início das atividades, a instalação capilar estava feita e eu prontinha para a festarola. Dirigi-me ao balcão e perguntei: “Quanto é?”. Os segundos que se seguiram foram de tontura, náusea e quase desmaio.

- 74.35.
- 74.35 euros?
- Sim. 74.35.

Por momento imaginei-me a arrancar o couro cabeludo e a devolver-lhes o serviço. Mas na verdade foram eles que me arrancaram couro e cabelo.

A ignorância é uma coisa muito triste. Como nunca tinha feito tal coisa, não fazia ideia se estava a ser roubada à mão armada ou se seria um preço razoável.

Depois de uma intensa investigação (nesse mesmo dia e durante a boda – é triste eu sei), percebi que provavelmente paguei mais do que a noiva. Ou melhor, devo ter pagado mais que todas aquelas cabeças juntas. E não, não se enganaram porque passados uns dias fui confirmar o preço de tabela ao estabelecimento.

À noiva pedi que olhasse bem para mim durante toda a festa, e que se deleitasse ao máximo com o que eu tinha na cabeça, uma vez que aquilo seria a sua prenda de casamento. Para me sentir melhor, não lavei a cabeça durante os 10 dias seguintes e desta forma rentabilizei o investimento.

Moral da história: nunca compres nada sem antes perguntar quanto é. Principalmente se não puderes devolver no fim.


                                                                                           drimir@santiagoDEcompostela2011


acordei às bolinhas

primeiro fim de semana a desempenhar funções como mardinha!

Guimarães 2011



Gosto de projetos descomprometidos e este, que me tem absorvido a atenção ultimamente, é um deles. 

Durante um fim de semana uma cidade - a que viu nascer o D. Afonso Henriques - abre as portas à cultura (ou será “da cultura”?) e transforma-se ela própria numa galeria, onde cada artista se responsabilidade por mostrar o seu trabalho em casa, nas ruas ou em alguns espaços e associações que, durante dois dias, cedem as suas paredes em benefício da arte. Para ajudar ao percurso haverá um mapa/roteiro que vai ajudar na descoberta.

A ideia não é nova, mas vem mostrar que é possível fazer muito com escassos recursos, muito boa vontade e dedicação de quem já se considera um “noc”. E pela página do Facebook até à data, eles já são quase 700. O lema é partilhar, mostrar e fazer... e o resto acontece por obra e graça da metafísica.

Dias 1 e 2 de Outubro de 2011, em Guimarães.






7 visões do mesmo espaço

Éramos 7 pessoas e passámos um fim de semana a fotografar a cidade onde vivemos. Depois de várias horas e dezenas de fotos, quando pedi aos outros 6 que enviassem apenas uma foto desse trabalho todos escolhemos, por coincidência, um "retrato" da mesma rua.

Aqui ficam 7 visões da mesma rua.



Helana Leite

João Peixoto

Rogério Martins

Adriana Miranda Ribeiro


Sílvia Martins

Délia de Carvalho

Andreia Garcia