e em # 5



Um amigo meu, que viajava muitas vezes de avião, dizia que cada vez tinha mais medo de viajar porque a probabilidade de ter um acidente aumentava de acordo com o número de viagens que fazia. Pegou-me a matemática.

No outro dia, depois de algumas horas de atraso, a tripulação da Ryanair meteu-nos à pressa no avião (ou “autocarro com asas”) e já lá dentro, com toda a gente sentada, anunciou vocalizando cada sílaba pausadamente:

- Por favor, mantenha o seu cinto de segurança DESAPERTADO uma vez que estamos a abastecer o depósito do avião. Repito, por favor...

Chamem-me pessimista, mas acho que se o avião explodisse o cinto seria o menor dos meus problemas.

desejo de ano novo # 5 – na eventualidade de ter um acidente aéreo em 2011 que seja, tal como o nome indica, aéreo com direito a destroços no meio do oceano e caça à caixa-negra do aparelho durante várias semanas, como manda o figurino.


resolução de ano novo # 4 - pedalar, em média, mais de 45324 vezes por mês




 resolução de ano novo # 3 - organizar favoritos (nateBeaty)


resolução de ano novo # 2 - não fotografar o cãocadelamosca

ainda que seja a sombra, enquanto fotografo outros objectos
 
como por exemplo o manjericão-morto


resolução de ano novo # 1 ressuscitar o manjericão morto

   

feminino

fotógrafa profissional de (um) (o)es e certos insectos

freelancer (sem presa)




Bicicletas e corações. Mais uma. Or how to seat your bum in a heart.

 

homem que esperava o amolador de facas. em madrid.






Comi Dióspiros pela primeira vez.

Oh yeh, Firmina YéYé!

Na adolescência tinha uma bicicleta. Mas não era uma bicicleta qualquer, era a minha Firmina YéYé, uma pasteleira enferrujada e velha. A grande vantagem da Firmina é que podia ir com ela para todos os lados e deixá-la em qualquer sítio sem cadeado, porque ninguém a roubava. Ninguém percebia a beleza interior daquela bicha, mas quem a conhecia até a tratava pelo nome próprio e perguntava por ela, quando ela passava muito tempo sem dar as caras, ou melhor, as rodas.

A única experiência paranormal que tive na vida foi com a minha YéYé. Corria o ano de 1997 e a bicicleta desapareceu da garagem do meu prédio. Os primeiros momentos foram de choque e pânico. Pela primeira vez tinham-me roubado a bicicleta e ainda por cima da garagem.

Relaxei, concentrei-me e tentei entrar na mente da Firmina, e tive um feeling sobre onde ela estaria. Fui imediatamente ao local e lá estava ela, abandonada no chão, com o joelho a sangrar, ao pé da capela de Santa Catarina.

Há dias vendo o belo trabalho fotográfico de um colega, Rogério Martins, vi um álbum que se chamava “Pasteleiras” e deu-me logo para a nostalgia. Quem conheceu a Firmina percebe.