Na Manta


Que planos tens para o dia 17 de Julho?

Coisas de Bairro



Nas frequentes e curtas viagens ao umbigo da Península Ibérica tento ficar sempre no mesmo sítio e estabelecer rotinas, para que, pelo menos, durante esses escassos dias sinta que vivo ali e estou em casa. É como ter uma vida paralela.

Apesar da dimensão da cidade, os bairros (alguns) são acolhedores e familiares, e há um sítio que “me gusta” particularmente. É uma prova de que tamanho não é documento.

É uma livraria pequena, de esquina em pleno bairro de Lavapiés. Sempre que por lá passo lembro-me do filme “Smoke” e que se aquela loja fosse minha, faria como o Harvey Keitel e tirava todos os dias, à mesma hora e do mesmo ângulo, uma foto à rua em frente.

O atendimento é muito personalizado e, às vezes, faço pedidos de livros por temas ou autores específicos, e os donos lá me vão avisando por mail do que encontraram e se é para encomendar e quando por lá passo. Já lhes expliquei que “não sou de cá”, e que “não sei muito bem quando volto”, mas eles respondem-me sempre “quando passares passaste, nós guardamos-te o material”.

Ando a engendrar um plano ultra-secreto. Como eles também vendem livros em segunda-mão, assim que desencaixotar os meus livros, vou fazer uma selecção e oferecer-lhes alguns para que comecem a criar uma mini-secção portuguesa! Não sei se vai colar...

Já que estamos a ser invadidos pelas suas empresas, vamos contra-atacar de alguma maneira. A cultura poder ser um bom começo.

Quando For Grande Quero Ser Espanhola

Há uns anos atrás li um estudo curioso, que dizia que na Europa os homens são mais irascíveis que as mulheres. A única excepção era Espanha, país onde o “sexo fraco”, não é para brincadeira.

O meu contacto com “nuestras hermanas” tem-me mostrado que as espanholas são realmente danadas, têm sempre razão e NUNCA se calam.

Lembrei-me deste facto devido a um acontecimento, há dias, em Madrid e que ilustra bem, e de forma quase caricatural, o que este estudo relatava.

Estava à espera do Metro, encostada a uma estrutura metálica própria para o efeito. Era tarde e já lá estava há uns bons 5 minutos, imóvel, com a minha bela Havaiana dourada. Estava imersa nos meus pensamentos, quando à minha esquerda vejo um rebanho de sexagenárias gaiteiras, produzidas (em roupa e make-up), morenaças e barulhentas aproximarem-se.
Em Portugal, país contido e de brandos costumes, as ditas senhoras poderiam ser artistas de cabaret, ou outra coisa menos “artística” (preconceitos à parte). Em Espanha eram apenas “mães de família”, que tinham ido curtir a matiné da “movida madrileña”.

O grupo foi-se aproximando e quando passou por mim, a loiraça do grupo deu-me uma vigorosa calcadela. Automaticamente soltei um grunhido e fiz cara feia de dores.
De imediato a senhora olhou para mim, duvidando se me teria, de facto, calcado ou se eu estaria apenas a ser possuída pelo espírito que habitualmente assombra o Metro da linha 3. Quando confirmou que sim disse-me com indignação: “¿Es que nos ves donde pones los pies?”, que traduzindo seria qualquer coisa como “Vê lá onde pões os pés”.

O mais normal seria insultar criativamente aquela marafona, trazendo ao de cima a nortenha que há em mim, porque ou era o meu discernimento que me traía, dadas as altas horas da noite e o cansaço da viagem que já trazia no lombo, ou tinha sido aquela bimba de calça branca que tinha calcado o meu delicado e sossegado 39 descalço.

Mas valeu-me a mim (e a ela) ser apenas uma portuguesa recatada, e perante o absurdo da situação não consegui deixar de rir.

Entrei no Metro e fui o resto da viagem a remoer a situação e a sorrir, enquanto a Paquita oxigenada ia indignada, e a rezar entre dentes, por o meu pé se ter colocado debaixo do seu tacão irascível.

ChickenFeast



E porque este ano, e mais concretamente este mês, se comemora o "Desculpem Andar Com Os Nervos Em Franja e Ter Sido Demasiado Expressiva"...

Volta e meia reúno-me com amigas de longa data à la "Sex In The City".
Falamos de homens (nossos ou alheios), falamos de roupa e sapatos e falamos de sexo (pelo menos algumas).
É um cliché, mas um daqueles bem terapêuticos.

Há dias tive um destes meetings e perguntava-me o que os tornava tão divertidos e animados.

Não é o facto de nos conhecermos há anos, não são as conversas intensas, nem é por estas criaturas serem bastante especiais... e depois de pensar e teorizar profundamente sobre o assunto cheguei à conclusão que é a quantidade de açucar que ingerimos quando estamos juntas.

;)

Desalinhada!

Ando desorientada, porque não consigo alinhar os textos deste Blogue. Por algum motivo sinistro a opção de "justificar" desapareceu.

Haverá coisa mais perturbante do que um textos por justificar?

Falas "estrangeiro"?

As situações e temperaturas extremas, às vezes, fazem vir ao de cima o pior que há em nós.

Detesto restaurantes ou bares com nomes “estrangeiros”.
Principalmente se forem ingleses/americanos ou espanhóis.

Isto começou há já uns tempos quando reparei que um mítico bar de Vila do Conde, teria sido substituído por um café que se chama “Dani´s Irish Pub Café”. Nunca lá entrei, mas tenho passado por lá com frequência e a coisa deixa-me desconfortável e só penso cá para comigo: “Oh Daniel, não havia nome mais original para dares ao teu tasco?” Imagino que seja um Daniel português, porque não estou a ver nenhum inglês no seu perfeito juízo a encantar-se por um local em plena estrada nacional da terra.

Porque não um nome clássico? “Café Central”, por exemplo! Todas as terras têm um, e Vila do Conde não.

E depois há os restaurantes espanhóis em Portugal, cujos donos são portugueses. Alguém conhece um Restaurante Chinês cujo proprietário seja de Trás-os-Montes?

Os nomes não fogem muito disto: “Paquito. Casa de tapas”.

Muito brasileiro que por aqui anda deve pensar que em Portugal há locais próprios para apanhar porrada. Já os estou a imaginar a ligar aos primos que ficaram no Rio de Janeiro “Sábi Vanderlei Uilson, aqui em Purtugau, tem auguns sitius publicos, ondi dão tapas em você. O mais istranho é qui tem di pagá pá levá na cara. E muito”.

Assim, do outro lado do Atlântico, lá se vai confirmando a ideia de que português é “burro meismo”.

Mais uma vez, nestes locais, de espanhola a comida tem pouco. Normalmente podemos deparar-nos com “deliciosas” iguarias congeladas, pedaços de pão (tapas?) com coisas em cima e outras coisas que não se comem em Espanha, mas sim em Portugal, em cima de pedaços de pão (tapas?).

E depois há o “Driver’s”. O “Sunset”. O “Flower´s” e por aí fora…

Possivelmente o Daniel, a par com o seu Irish Pub, abriu um “Sunset” onde a ideia é “vender” aquelas maravilhas que se comem nos E.U.A., porque toda a gente sabe que se há sítio onde se come bem, é lá. E não falo de saúde nem nada que o valha, já que quem se quiser convencer que uma bela de uma alheira ou um queijo da serra são saudáveis, que se trate, porque devem ser as artérias entupidas de colesterol lhe que estão a turvar o discernimento. Falo mesmo de ser bom e saboroso!

Claro que no “Flower´s” o que eventualmente iremos comer é um belo dum prego no pão, que ao contrário do que se come no “Zé do Pipo” (que tem apenas o “tradicional” óleo Fula) é abundante em molhos e/ou queijo.

Não o conheço e já odeio o Daniel. E sei que não é exagero meu, porque todos os que me conhecem sabem que não existe criatura mais sensata, dócil e tão cheia de bons sentimentos como eu. Por isso, Daniel, não sou eu, és tu e para ti tenho apenas 3 conselhos:

- Muda o nome ao teu café para “Café Central” ou, porque não, simplesmente “Daniel”?

- Abre antes um restaurante português em Espanha. Até podes usar o mesmo nome do café que tens em Vila do Conde e tudo, pões-lhe só um “2” no título e até parece que tens uma cadeia.

- E fecha o “Driver’s” e abre um Macdonald’s. Vais ver como tens mais clientela.

E cuidado Daniel, porque também detesto pessoas que abrem restaurantes com numerações no nome, tipo “Daniel 2”. Faz-me pensar que são pouco criativas, preguiçosas ou prepotentes ao ponto de querem fazer parecer que têm uma cadeia do negócio.

Tempo Sincro



Até, mais ou menos, aos 8 anos sonhava em ser cabeleireira ou pianista. Depois passei anos a querer se advogada acabando, no entanto, por enveredar pela Comunicação.

O bom de se ser advogado (ou médico ou economista ou cabeleireira) é que ninguém te pergunta: “E o que é que fazes exactamente?”. E pior de tudo é nem eu própria conseguir explicar muito bem em que é que consiste o meu ganha-pão.

Nunca a frase “Uma imagem vale mais que mil palavras” (sendo que mil às vezes não chegam) teve tanto sentido.

Flores p´ró, hoje, David




Há dias maus, há dias bons e há dias complicados e labirínticos. Ontem foi um destes.
Um bouquet de flores do campos, para os que ajudaram a descomplicar!

Keep a Secret



Há uns meses passaram-me 1455 novas canções, e um dos álbuns que vinha à mistura era o "Rules" dos "The Whitest Boy Alive" (que se fossem portugueses chamar-se-iam "Os Branco Mais braco Não Há").

Estes rapazes são de Berlim e começaram como um projecto de música de dança, mas viraram banda. O vocalista, Erlen Oye (que é com alguma alegria que confesso, que há uns anos se esfregou em mim - com todo o respeito - no Festival de Benicasim), faz também parte dos Kings of Convenience. Só boas referências, portanto.

Todo o álbum é muito divertido e animado, sem ser "histérico" e é altamente recomendado nas mais diversas situações: viagens, arrumações, depressões profundas ou ligeiras, males de amor e económicos, maus olhados e problemas sexuais. Parece que o Erlendo - prós amigos - nos vai dizendo com as suas músicas: relaxa, abana a anca, que vai ficar tudo "ole raiguete".

Aqui fica um exemplar.

O teu Pai é Careca ou Cabeludo?


Dona de Casa Zesperada

Quando me preparava para sair da casa dos pais, uma das minhas preocupações foi ter umas noções de culinária, para me poder desenrascar com algo mais que pão e iogurtes.

Os ovos já os tinha mais ou menos dominados. Massa cozida também, assim como os grelhados. Mas havia uma espécie culinária que me provocava muitas dúvidas: o arroz! Como raios se mete uma chávena numa panela e esta aparece cheia? Um longa conversa de café deu-me uma noções básicas...

Por sorte fui morar com mais 3 criaturas. Duas delas até tinham jeito para a coisa e a outra ou era tão manca como eu para a culinária, ou então disfarçava bem.

A mais versada delas nas artes culinárias "abriu" há pouco um blogue, que está a ficar com imensos fieis seguidores. São receitas fáceis, com um toque diferente, e saborosas. Aqui fica o link: http://www.sabores-agri-doces.blogspot.com/.

Mais de 10 anos passados, ainda há gente que fica surpreendida quando cozinho. Como se de repente descobrissem algo altamente improvável para a minha pessoa. E continuo a ser gozada, por muitos, pelos meus resultados culinários. Deduzo que há imagens que jamais se apagarão da memória de alguns...

Mas continuo sem desistir, apesar de não fazer muito bem às unhas das mãos e deixar maus cheiros no cabelo, e hoje resolvi inovar na cozinha. Até correu bem e por isso quero partilhar a minha receita, um pouco inventada:

PEIXE LUMINOSO&ARROZ RELAXADO
(para 4)
Peixe:
6 Filetes de Peixe (à escolha e sem espinhas)
Alho
Limão
Pimenta
Sal
Salsa
Sementes de Sésamo

Arroz:
2 chávenas de Arroz Agulha
Azeite
Cebola
Furikake
Sal

Temperar o peixinho cortado aos pedaços com sal, limão, salsa, alho e pimenta. Numa sertã alhinho e azeite, deixar fritar um chiquinho e meter o peixe até ficar alourado. Quase no fim acrescentar sementes de sésamo na sertã. Fritar tudo mais um pouco.
Para o arroz fazer um esturgido de cebola, fritar um pouco o arroz e colocar 4 chávenas de água. Deixar ferver a água e depois cozer no mínimo. O resultado terá de ser um arroz branquinho, ligeiramente empapado (não era para ser, mas até correu bem). Depois misturar o arroz com um condimento japonês que se chama Furikake (algas, peixinhos, vegetais secos e desidratados, tudo em pedacinhos muito pequenos.)
Uma saladinha ao gosto do freguês, pegar numa malguinhas para servir o arroz em meios círculos (comme il faut) - nos pratos ou travessa - e o peixe numa travessinha.
Estava bom!
Furikake

Insert Coin




Este é mais um filme de animação de PES - o seu trabalho é incrível - e gosto particularmente deste "Game Over", cuja temática é uma série de jogos arcade, que fizeram parte da minha infância.


Há quem se lembre do cheirinho dos bolinhos da avó. Eu lembro-me de jogar ao Frogger (ou "Sapinho", como eu lhe chamava) em cima de uma grade vazia de cerveja.

Coraline No País das Maravilhas





Vi este trailer e fiquei cheinha de vontade de ver o filme.

Chama-se "Coraline e a Porta Secreta" é a primeira longa-metragem realizada em stop-motion em 3D e o seu realizador, Henry Selick, foi também o responsável pelo excelente "Nightmare Before Christmas".


Ainda não vi o filme, mas pelo trailer uma série de referências vieram-me à memória: o filme "A Noite" da Regina Pessoa, pelo aspecto da animação e imaginário terrorífico da criança; a história da "Alice no País das Maravilhas", pelo mundo fantástico e paralelo, que se acede através de uma porta secreta; e a BD "Emily, the Strange" não sei muito bem porquê, mas talvez pela personagem principal.

Pelos vistos é a adaptação de um livro de Neil Gaiman, que conta a história de uma menina, que descontente com a vida que leva, encontra uma alternativa - aparentemente parecida, mas melhor - à sua existência, numa porta secreta que existe na sua casa.

Claro que os sonho acaba por se revelar um pesadelo...