Hipnose




Se até as víborase

as serpentes

têm quem hábil

as deslumbre e encante,

porque não seres dócil

e paciente

e acreditares

em quem te morde e

em quem te mente?
(O Jota Poeta)

She´s My Bitch


Amores em Tempo de Cólera

O amor tem muitas formas de se revelar, mas comove-me quando o faz em forma de altruísmo em estado puro.

Perguntava a uma grande amiga, há dias, como estavam os seus pais. Ao que me respondeu: "Não muito animados. Ando a pensar em ter um bebé, para lhes dar alguma alegria e estímulo na vida, embora a situação agora não seja a mais propícia, nem o meu relógio biológico esteja propriamente a pedir um".

Mãe, de Onde Vêm os Ovos?



Às vezes, as realidades dos factos, aperecem-nos à frente, de forma inesperada.
Nunca me tinha perguntado, de onde vêm as Couves de Bruxelas.
Espantem-se! Não vêm da Bélgica, nem crescem em embalagens...

Receita De Arroz de Espigos




Acordar cedo.

Tomar um pequeno almoço robusto.

Fazer-se ao caminho.









Cuidado com os poços, pelo caminho...








Nesta altura do ano os espigos,
só podem ser de dois tipos:



de nabos






ou de couves.









Caso se opte pelos espigos de nabos, não colher os floridos...










... mas sim quando ainda estão fechadinhos!















Fazer um esturgido de alho e cebola, colocar a água a ferver. Deitar o arroz. A 5 minutos do fim, colocar os espigos.

Voilá!
Comer na hora.

Cândida

O fim no começo

A palavra cortada
na primeira sílaba.
A consoante esvanecida
sem que a língua atingisse o alvéolo.
O que jamais se esqueceria
pois nem principiou a ser lembrado.
O campo – havia, havia um campo?
irremediavelmente murcho em sombra
antes de imaginar-se a figura
de um campo.

A vida não chega a ser breve.

Carlos Drummond de Andrade

O Mundo Visto Por Um Cabide

Há coisas com as quais não se brinca.
Não se brinca com comida. Não se brinca com a desgraça alheia. Não se brinca com coisas sérias. E não se brinca com o sentido de moda de uma gaja.
Ando fixada numa peça de roupa, que quero muito ter. Quase que arrisco dizer que, a minha felicidade depende dela.
A primeira vez que isto me aconteceu, tinha uns 10 anos e era Natal. Sabia exactamente o que queria: umas calças de bombazine pretas, com um botão redondinho branco. Até hoje, nunca encontrei a dita peça, e acabei por comprar uma saia de bombazine verde.
Já passaram muitos anos, ultrapassei a questão do botão redondinho branco e hoje em dia as minhas necessidades são outras.

Tenho andado de loja em loja e perguntado pela tal peça de roupa e a resposta tem sido sempre:
- "Já tivemos há uns anos, sabe? Mas é que hoje em dia já não se usa.", acompanhado por um encolher de ombros e olhar de compaixão.

A minha pergunta é:
- Será que as lojistas têm pena de já não ter a dita peça à venda?
- Será que as lojistas querem dizer que na lojas delas só há o que está na moda?
- Ou será que me estão a chamar demodée?

Terei direito à compaixão alheia por querer uma peça que não se vende há... sei lá... 2 anos?

Narcisos


E mesmo a propósito do que dizia Jonathan Littell, no último post, está o último trabalho de Délia de Carvalho, exposto nas Cirurgias Urbanas (Miguel Bombarda, Porto) a partir do dia 12 de Janeiro até 28 de Fevereiro.

São figuras ambíguas, inquietas e perdidas que olham para fora do quadro, esperando verem-se no que está lá fora. Não é o que fazemos todos? Para isso estão os iPods!

Reivindico Ano Novo, só em Fevereiro!




Ano Novo Vida Nova.


Chega esta altura e dá-nos para fazer um balanço da nossa vida, por vezes aliado a uma ligeira - ou não tão ligeira - crise existencial, mas a força do novo ano, faz crescer em nós uma esperança cega de que vamos dar uma volta de 180º graus (360º?) à nossa vida.

E então decidimos:
- Deixar de fumar
- Começar uma dieta
- Ir para o ginásio
- Pôr ordem nas nossas finanças
- Sermos mais organizados
- Etc

No dia 1 quando acordamos, chegamos à conclusão que nesse dia vai ser difícil deixar de fumar, porque a ressaca é grande, ainda estamos de férias e se calhar é melhor esperar mais uns dias...


A dieta é impossível, porque ainda há tanta comida das festas... A frustração de continuar a comer desalmadamente causa-nos uma depressão tal, que o melhor é mesmo comer ainda mais, porque afinal, estamos deprimidos.


Quanto às finanças, o Natal arruinou-nos o saldo bancário, a passagem de ano não ajudou e para piorar as coisas Janeiro tem 31 dias e muitas contas para pagar.


Claro que o ginásio está automaticamente de parte, porque andamos tesos.

A organização é impraticável, já que andamos tão stressados pelo acumular de tarefas que as férias causaram, tão mal do estômago pelos excessos, tão frustrados por não termos ainda deixado de fumar e ... tão tesos, que a nossa cabeça está demasiado baralhada para nos organizarmos.


Como se as festas não fossem já por si próprias um stress, ainda nos auto-flagelamos com promessas de "Ano Novo Vida Nova", mesmo sabendo que andamos há anos a fazer promessas que nunca cumprimos, no início do novo ano.


Por este motivo, reivindico que o ano novo seja só de dia 31 de Janeiro para dia 1 de Fevereiro. As coisas estão mais calmas, o mês é curtinho e já andamos com mais disponibilidade para cumprir promessas.

Uma Coisa Que Li


"Quando Deus desaparece, coloca-se-nos um dilema. Os valores devem referir-se a algo, devem vir de algum lugar. Num mundo sem Deus, era difícil implantar um sistema ético e moral. As ideologias vieram fazê-lo, substituí-lo, mas também fracassaram, e é por isso que agora não temos nada. E os iPod não vão construí-lo. Nem a compra e venda ou a publicidade. Esses valores em que vivemos, do consumismo, do ganhar dinheiro, não são nada. A nossa sociedade desliza pela memória que lhe resta de ter feito parte dos bons. Vive dos restos."

Jonathan Littell, in ípsilon 28.12.07


Às vezes não é preciso escrever, basta transcrever...


"Dig, Lazarus, Dig!!!"


A minha primeira vez foi com o Nick Cave.
Já lá vão muitos anos e depois dele vieram muitos. Dezenas, talvez centenas.
Mas não há vez como a primeira!

Como ainda andava pela pré-adolescência, foi difícil convencer os meus pais. Mas depois de muita insistência - talvez vencidos pelo cansaço - lá cederam e fui transportada de Vila do Conde até ao Porto, com mais 10 amigos, num camião de caixa aberta. Claro que íamos todos "na caixa".

Quase parece um ritual de iniciação e provação.
Imaginem-se uma adolescente de 13 anos. Agora, imaginem qual é a pior coisa que poderia acontecer?
Serem descarregados, em frente ao Coliseu do Porto, antes de um concerto cheio de gente, de uma caixa aberta, de um camião.

Era isso ou não ir ao concerto. E a ideia de sair do camião, na esquina anterior, claro que estava fora de questão. Porque com o senhor meu pai, as coisas são para ser assumidas até ao fim. Sem vergonhas.

Adorei o concerto, claro! E por sorte fiquei, juntamente com uma série de meninas novinhas e giras, entre as grades e o palco. Um confortável privilégio, portanto.

Para mim aquilo era como ouvir o CD, mas melhor, porque tinha ali o Nicolau a cantar em directo. Incomodou-me o histerismo das meninas, que não se conformavam com o facto de eu não tocar no Nick. Senti-me de tal forma pressionada, que lá lhe fui passando a mão pelo pêlo, porque já me começava a sentir como uma Benfiquista infiltrada numa claque do F.C.P.

Mas o que me vai ficar desse concerto, é a história de uma rapariga gótica, de cabelos até aos pés, que conheci nessa noite. Dizia estar muito contente, por estar ali juntinho ao palco e com um pouco de sorte, no fim, escolhiam algumas para ir aos bastidores. Até estremeci de alegria, com a ideia de estar com o Nick, poder fazer-lhe perguntas, conversar com ele... Tocar-lhe ainda era como o outro, mas conversar com ele, isso sim, seria altamente... No meio do seu histerismo e entusiasmo, a tal rapariga, que na altura me parecia mais velha que eu, e por isso teria no máximo 15 anos, contou-me que tinha perdido a virgindade com o baterista dos Tarântula (ou coisa que o valha) e que nessa noite esperava poder "estar" com o Nick ou com o Blixa.

Já tinha tido que ir na caixa aberta de um camião, já tinha tido que tocar no Nick Cave para não ser linchada, mas a ideia de ser a escolhida para ir fazer um "servicinho" a algum dos Bad Seeds causou-me algum desconforto. Não é que eu não gostasse deles, mas parecia-me demais.
Portanto, antes do primeiro "ancore", pus-me na alheta, porque com a minha sorte, lá ia ser eu a escolhida e como é que eu ia dizer que não, à frente daquelas fãs histéricas? É chato...

E isto para dizer que o Nick Cave vai lançar álbum em Março de 2008: "Dig, Lazarus, Dig!!!"
Espero que venha à Península Ibérica. Se assim for, pego na minha amiga Lu - Clarita, para a Blogosfera - e qual adolescentes vamos vê-lo.

Desta vez fico até ao fim.

Pequenina e Ajeitadinha


Quando andava no ciclo, a minha amiga Carolina, emprestava-me a Reader's Digest. Pilhas delas. Não sei bem porquê, ler aquilo, quase me sabia a pecado. O facto de ter forma de livro, dava-lhe uma credibilidade incrível e o seu conteúdo "variado", tornava-a apetecível à leitura.

Ainda hoje me parece uma revista estranha.

Lembrei-me dela a propósito do último post que escrevi, com uma pitada de testemunho real, um pouco de ciência e um toque de espiritualidade. Ahahah...

Já agora, nunca mais ninguém viu a minha amiga Carolina, mas há rumores de que continua com um rabo enormeeee!
Mas não sei, não a vejo há tanto tempo... (suspiro)

Mais Vale Ser Alegre Que Ser Triste...


Um amigo passou um período difícil na sua vida. Consequentemente queixava-se de uma série de problemas. Doia-lhe a cabeça, doia-lhe isto e aquilo, fartava-se de chorar, blablabla... Falou com um amigo médico, que com uma grande naturalidade lhe receitou Xanax, lhe disse que estava com uma depressão e que aquilo a ia ajudar e que, hoje em dia, todos o faziam!

OK, se todos o fazem...

Resumindo: se estás com problemas, droga-te até não conseguires andar de pé e espera que se resolvam sozinhos.

Esta treta toda a propósito do que vem a seguir.

"O stress inibe o sistema imunitário e é um factor que contribui para a maioria das doenças. O organismo desenvolverá sintomas de desgaste e sofrimento, especialmente no que se refere aos órgãos envolvidos. Hipertensão, doenças cardíacas, doenças renais, problemas gastrointestinais, úlceras, dores de cabeça, insónias, depressão e ansiedade, são algumas das doenças que se podem desenvolver. Se esse tipo de situação se arrastar por muito tempo, o resultado é a exaustão.
Há uma forte hipótese de, se tiver algum leve problema de saúde, ele seja agravado pelo stress. “Hoje, pelo menos três quartos de todos aqueles que vão ao médico apresentam queixas relacionadas com o stress,” escreveram Terry Looker e Olga Gregson no seu livro Managing Stress (Controlando o Stress). As pessoas procuram alívio nos tranquilizantes e antidepressivos, que totalizam um quarto de todas as receitas médicas dos Estados Unidos."

(resto do artigo em:
http://www.saudelar.com/edicoes/2001/outubro/principal.asp?
send=stress1.htm)



O Homem do Bigode


Há coisas que me causam uma irritação semelhante, ao do bater continuo de um metal (por exemplo), no tampo de uma mesa...

Acontece muitas vezes nos Telejornais, a propósito de algum "mega acontecimento", pegar em meia dúzia de desgraçados, de preferência com bigode (quer seja homem ou mulher), desdentados, mal vestidos e que falem mal português e fazerem-lhes perguntas difíceis.

Sabe quem é Robert Mugabe? E sabe do que se vai falar nesta Cimeira? Mas o Cavaco Silva sabe quem é?

Ora bem, eu sei o que estas pessoas vão responder, tu sabes o que elas vão responder e o jornalista também sabe também...

So, what's the point? Mostrar a ignorância do povo (que possivelmente se levanta às 5 da manhã e chega a casa à noite cansado), ou um exercício quase que egocêntrico do jornalista (que muito possivelmente acabou de estudar e decorar a matéria, para a reportagem desse dia)?

Sou um bocado sensível nestas coisas e acho que é humilhação gratuita do zé-povinho, sem resultados informativos para ninguém.