O Homem do Bigode


Há coisas que me causam uma irritação semelhante, ao do bater continuo de um metal (por exemplo), no tampo de uma mesa...

Acontece muitas vezes nos Telejornais, a propósito de algum "mega acontecimento", pegar em meia dúzia de desgraçados, de preferência com bigode (quer seja homem ou mulher), desdentados, mal vestidos e que falem mal português e fazerem-lhes perguntas difíceis.

Sabe quem é Robert Mugabe? E sabe do que se vai falar nesta Cimeira? Mas o Cavaco Silva sabe quem é?

Ora bem, eu sei o que estas pessoas vão responder, tu sabes o que elas vão responder e o jornalista também sabe também...

So, what's the point? Mostrar a ignorância do povo (que possivelmente se levanta às 5 da manhã e chega a casa à noite cansado), ou um exercício quase que egocêntrico do jornalista (que muito possivelmente acabou de estudar e decorar a matéria, para a reportagem desse dia)?

Sou um bocado sensível nestas coisas e acho que é humilhação gratuita do zé-povinho, sem resultados informativos para ninguém.


Polaroid


Não é preciso ser um grande apreciador de café - basta ser português - para saber, que o café em Espanha é uma merda. Isto é algo que aos nuestros hermanos custa interiorizar (aliás, como qualquer outra coisa, que de alguma forma inferiorize o seu produto nacional. Mas isso é assunto um longo assunto, para outro dia...)
Hoje acordei em Madrid e com sono e precisava de uma bomba de cafeína.
- Hola. Me pones un café sólo, bien cortito?
- Claro, cariño.
A senhora tirou o café, despejou metade na pia e entregou-me o meu café bien cortito, por supuesto.

Este Homem Faz-me Feliz


Ir a concertos tem o que se lhe diga. O momento pré-concerto envolve algumas emoções, difíceis de gerir. Já andava há uns meses a pensar no do Josh Rouse e é com vergonha que digo, que não fiz os trabalhos de casa. Não conheço muito bem os últimos álbuns. Isto não é algo que se admita publicamente de ânimo leve! Oh no... Principalmente, porque gosto muitoooo do senhor.

Os meus medos eram, portanto, inquietantes e qualquer quer um que goste de música, de concertos e tenha um "cantor preferido", entende-me perfeitamente.
E se eu não conhecesse a maioria das canções? Pior... E se eu não conhecesse a maioria das canções E NÃO GOSTASSE DELAS? Pois é! Lá se íam 5 anos de fanatismo por água a baixo e isso é das piores coisas que pode acontecer a um fã! Deixa um vazio pior, que o fim de um livro ou de uma novela.

Mal o Josh tocou os primeiros acordes, os medos dissiparam-se. Tocou antigas e novas (e que boas que elas são). Tenho que ouvir os últimos discos.

Musicalidades à parte, mal vi este senhor entrar em palco, pensei no meu segundo primo trintão, que trabalha na contabilidade de uma loja de ferragens, de Rio Tinto e que ainda mora com a mãe. Calça, blazer e colete - com falta de ferro-de-engomar -, camisa azul e gravata bordeaux. Parecia que tinha acabado de sair do escritório e vinha fazer uns biscates ao Thearo Circo, para ganhar uns trocos para insonorizar a garagem lá de casa, onde ensaia com os amigos ao fim-de-semana. (O barulho dá dores de cabeça à minha tia)

"Obrigado por terem vindo e por terem esperado. Sei que é tarde para uma Terça-feira à noite, por isso vamos lá começar isto, para acabarmos o quanto antes" disse o Josh.

Cada música foi um sorriso e isto para um concerto é dizer muito. Tive pena que ele seja um preguiçoso, porque soube a pouco, mesmo pouquinho.

E lá para o fim, eu sei que ele olhou para mim - embora a Lara JURE que foi para ela. Sei que não foi, mas para deixá-la feliz, deixei-a acreditar que sim. E digo-vos uma coisa, não fosse eu não ter feito o buço nesta noite, não sei o que aconteceria!


2 mais 2


Silvestre em atitude pensativa.

A criança está cada vez menos perdida na cidade. Noto isso nas pequenas coisas.

No outro dia fui ao super-mercado, onde vou com muita frenquência e onde quase toda a gente que lá trabalha é muito agradável. Fiquei triste ao saber que a menina mais simpática da caixa, se vai embora. Suponho que são as pequenas alegrias e tristezas quotidianas, que nos fazem "fazer parte".

A menina da caixa registadora vai-se embora, outra igulmente simpática virá, a minha vida vai continuar exactamente igual, mas por breves momentos tive uma sensação de perda em relação aquela pessoa - cujo o nome desconheço - que me soma, dia sim, dia não, a mercearia!


O Eterno Retorno




Imagina que tinhas que viver a tua vida repetidamente, num eterno retorno, por toda a eternidade, tal como a viveste: com todas as alegrias, tristezas, com todos os detalhes ... Voltarias a fazer tudo da mesma forma?

Quando tenho que tomar uma decisão que me parece importante, penso nisso.

Põe-te confortável Ernesto!


O mundo é constituído por 2 tipos de pessoas: as que mandam na sua própria vida e as que deixam que mandem na sua própria vida.

As segundas são miserabilistas, culpam a sua infelicidade em tudo o que lhes é externo e não se dão conta, de uma vez por todas, que só se anda por aqui uma vez e que só nós podemos decidir sobre nós.

Estou farta que se me venham queixar. Estás mal, põe-te bem, oh Ernesto!

A Cordinha


O mundo está dividido em 2 tipos de pessoas: as que gostam de cães e as que gostam de gatos.

(E segundo o meu amigo PH o mundo está divido em 3 tipos de pessoas: as que gostam de gatos, as que gostam de cães e as que dividem o mundo em 2 tipos de pessoas, mas adiante…)

As que gostam de gatos nunca tiveram cães. E as que gostam de cães, fizeram as escolha certa.

À Prova de Morte

"À Prova de Morte" é o último filme do Tarantino, com o dedo de Robert Rodriguez, num projecto que pretende ser um tributo aos filmes série Z, assim como às salas dos anos 70 que os exibiam.

Não é, nem de perto, nem de longe a sua melhor obra (até porque não chega a ser uma "obra"), mas dá para passar duas horas em tensão e risos, com carros a alta velocidade, gajas giras e falhas técnicas, de som e imagem (como acontecia nos filmes da época).

O realizador continua a presentear-nos com diálogos divertidos e violência gratuita, que de tão exagerada, deixa de nos chocar (ou quase).


Who made Who?

A contra-cultura


A propósito de uma crise existencial de Sexta-feira à noite, aqui vai a sugestão de um livro de um senhor espanhol chamado Luis Racionero, que se chama "Filosofias del Underground".
Basicamente fala do racionalismo enquanto corrente dominante. Explica a Revolução Industrial, que deu origem à actual "Ditadura do Capitalismo" culpada da crise do pensamento ocidental vigente.
E por fim vai expondo as várias correntes de pensamento, filosofias, etc, como contra-culturas que são contestatárias do imperialismo cultural, da ditadura da razão, que abafam e desacreditam e oprimem o que está para além delas.
E para terminar, o racionalismo procura a verdade, as filosfias do Underground o prazer.
"Precisamos de novos valores que estruturem a sociedade para uma nova cultura autoritária, descentralizada, humanística, individualística, imaginativa e espontânea."

Graças a dEUS!



Kiss My Jazz

Já têm muitos aninhos e uma das suas figuras principais é Rudy Trouvé, em tempos guitarrista dos dEUS. Portanto, mais um "agrupamento musical" da cena belga, contemporâneos dos dEUS, Moondog Jr. (mais tarde Zita Swoon), and so on...

Herman Düne

http://www.hermandune.com/

Herman Düne é um músico sueco, que não é de agora, mas que só esta semana descobri. Ainda ouvi pouco, mas do que ouvi gostei. É mais um com a etiqueta de Indie - esse termo tão lato. Aqui o nosso amigo, tem um rock e folk à mistura em canções com uma letras muito interessantes.
Fiquei a gostar ainda mais dele, quando descobri que entre os seus vários projectos paralelos, há um onde juntou à cantora francesa Clémence Freschard para lançar Kreuzberg Café, um disco de versões de Nick Cave, Leonard Cohen e Will Oldham.
Tentei colocar um vídeo, depois tentei pôr uma música aqui no blog, mas infelizmente ainda há coisas que não domino. I'll keep trying.
Fica um link, com um vídeo e uma musiquinha very good very nice:

Será que lhe faltava sal?


Já se sabe como começam estas coisas. Juntam-se meia dúzia para jantar, mais ou menos da mesma idade. Começa por se falar nas últimas viagens/experiências/novidades. Uma pitada de política, arte, de música e cinema (não que as duas últimas não sejam arte). E inevitavelmente um elemento leva-nos até à televisão. "Lembras-te daquela série em que..."

Beverly Hills 90210, Alf, Quem sai aos seus, Macgyver, Missão Impossível, Roque Santeiro...
Que bom que é ter referências comuns.

E depois alguém comenta que estamos a ficar velhos. Todos pensam o mesmo. E vamos para casa com um misto de satisfação e nostalgia.

"Ai, ai... Foi um serão agradável" pensaram todos.

"Merda, ninguém me elogiou a comida. Estaria insossa?" pensei eu.

Importa e Exporta

http://www.lesballetscdela.be/


Eram 6 em palco a dançar e 4 que tocavam - 1 deles cantava.
Havia música barroca e música electrónica, às vezes, misturadas.
Às vezes os músicos eram actores. Houve humor. Drama e crueldade.
Os corpos contorciam-se até ao infinito.
Um espelho da luta pelo poder. Como la vida misma.

“Import Export” é dança, teatro, malabarismo, música e arte visual. Tudo num só espectáculo de uma das companhias de dança contemporânea mais conceituadas a nível mundial.




O menino da lágrima


Enquanto "não-artista", esta foi uma das minhas primeiras influências.