Las cosas que se mueren no se deben tocar. 
María Dulce Loynaz

 

con·ve·ni·en·te

con·ve·ni·en·te 
(latim conveniens-entis)
adjectivo de dois géneros
1. Que convém.
2. Útilproveitoso.
3. Precisonecessário.
4. Aptocapaz.
5. Decente.
6. Conforme às praxesao decoro.
adjectivo de dois géneros e substantivo de dois géneros
7. Que ou quem participa num convénio (ex.: entidades convenientes).
Palavras relacionadas:  .


"conveniente", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/conveniente [consultado em 23-05-2014].





















Heisenberg


























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tempo de carga: 23 horas e 12 minutos de 7 segundos.



menosmaismaisigual.amenos

15.07

15.07 p.m

Uma amiga minha apanhou-me num dos 274 chat a que me ligo diariamente e perguntou-me se eu, nesse mesmo dia, tinha estado na cidade X. (nota mental: esta cidade encontrava-se a 50 km do sítio onde eu estava naquele preciso momento). Segundo ela, parecia mesmo eu. Em tudo (nota mental: há uma pessoa extremamente atraente a passear-se por aí)

Parei um pouco e pensei no assunto, antes de lhe dar uma resposta definitiva (nota mental: as coisas definitivas são para sempre e voltamos a elas até à eternidade). Não lhe queria mentir, nem lhe queria dar uma resposta com *verdade flexível, por isso mantive-a à espera alguns minutos, ali no chat, enquanto fazia contas (nota mental: uma vez disseram-me que eu devia ter ido para Economia ou Gestão ou Contabilidade. Acho que me mentiram. Há gente que mente muito).

08.57 a.m.

Oleei a corrente, coloquei o capacete, enfiei as joelheiras e entrei em modo cálculo.

Naquele momento eram 15 horas e 07 minutos. Tinha saído da cama às 08.57 dessa manhã. Tenho a certeza disso porque nasci a essa hora e, quando icei as pestanas pela manhã, achei piada à coincidência. Só reparo nelas – nas coincidências - em tempos de crise, por isso é provável aquilo que dizem sobre elas: que não as há.

Tomei banho, vesti-me e tomei um café. Perdi cerca de 35 minutos.

10.00 a.m.

Às 10 tive uma reunião ao lado de casa, que durou cerca de uma hora. Eram 11.15 estava de regresso. O cheiro a alho nas mãos, à hora a que a minha amiga me falou (15:07), era um forte indício que tinha estado em lides culinárias. Tal como o hálito, que me indicava que terei desfrutado de um apetitoso repasto. Ou isso ou andava a evitar algum vampiro diurno (nota mental: toda a gente sabe que os vampiros só andam de noite, por isso confio na primeira hipótese). Dado o estado imaculado da cozinha, calculo que terei estado ocupada até às 14 horas.

14.00 p.m.


Das 14 horas até às 15:07 são sessenta e sete minutos, o que me dava tempo de percorrer 50 km para lá e 50 km para cá, ser vista na tal cidade e, ainda assim, chegar a tempo de ligar o PC e falar com ela (com a minha amiga que me tinha feito perguntado “Hoje estiveste em X?”).


Percebi pela janela virtual que piscava ao lado da dela, que estava numa conversa com o meu amigo J desde as 14.14, que só tinha abrandado de ritmo quando a minha amiga me falou, às 15.07. Desde então tinham passado 6 minutos, tempo usado para fazer todos os cálculos anteriores (nota mental: talvez seja melhor a matemáticas do que julgava há cerca de 500 palavras atrás).

Tinha o puzzle quase todo montado. Só me restava uma possibilidade de fuga. Entre as 10 e as 11 da manhã: nunca ter ido à reunião e ter sonhado com tudo o que tinha vivido naquela hora. Às vezes penso que isso pode acontecer-nos, sem nos apercebermos: fabricarmos horas na cabeça, que nunca existiram, só para tornar as outras horas mais curtas.

Oleei a corrente, coloquei o capacete, enfiei as joelheiras e peguei no telefone. E assim confirmei a minha presença física naquela hora, entre as 10 e as 11 da manhã.

As contas estavam feitas e respondi à minha amiga com todas as certezas: “Não, não estive em outra cidade hoje. Só estive aqui”. E continuei o meu dia-a-dia, normalmente, com a certeza na minha resposta.

19.23 p.m

Umas horas mais tarde liga-me outra amiga, da mesma cidade X, e diz-me “Estás cá e não avisas? Acabo de te ver a passar de carro.”


quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2013, 04:05:46 a.m.



" a edição estava a correr bem até descobrir que há alguém muito parecida comigo mesmo aqui ao lado #justanothersillymoment" in Facebook by Marisa Cardoso

Histórias com final feliz #1

teste número dois




teste número dois pequeno-almoço:

- scones quentes 







                                           
# a pedalar na corrente #


# pedalar com a corrente #



# pedalar contra a corrente # 

teste número um




teste número um pequeno-almoço:

- brioches
- queques (de coisa boa)
- pão (de trigo)
- compota (de uma coisa laranja)
bebida a gosto





reinterpretação de foto de Heidi Specker


Heidi Specker (click)

Enquadramento #1


Este espaço não é idóneo. Este espaço é inconstante e bipolar. Este espaço não é de confiança e nem tudo o que lá se diz é verdadeiro (é apenas sentido). Este espaço é tendencioso e dado à censura. Se este espaço pudesse criava jobs for the boys (ou pelo menos para a girl, ela própria prestes a dedicar a vida aos jesuítas a ver se um dia chega a papa). Este espaço tem ética própria e maleável. É provável que este espaço tenha ligeiras tendências cinéfilas. É certo que este espaço é propenso a lobbys para amigos que fazem coisas e cenas. Este espaço conhece um grupo de gente que criou uma publicação online que se chama “Enquadramento” e que, uma vez por mês, lança um extenso e intenso texto sobre um realizador pouco conhecido, de qualidade louvável. A qualidade da referida publicação é independente de todas as caraterísticas deste espaço, referidas anteriormente. 







Capa: José Feitor (click)
Música: Minta & The Brook Trout (click)

              i know you wish you could just run but, honey, so does everyone 




Silvestre Zamith (click)

num dia 7

desta janela eu via uma barragem



A avó Lucinda estava sempre a sorrir, mas quando a conheci já não tinha nenhum dente na boca. Por causa disso, a sua casa de banho era habitada por uma assustadora dentadura de 32 dentes, que vivia num copo de vidro. Uma espécie de T0 envidraçado, com vistas para o lavatório. Esta dentadura aterrorizava-me as visitas à casa de banho.

Um dia perguntei-lhe porque não usava a tal dentadura na boca e, assim, libertava o copo T0 com vistas panorâmicas. Disse-me que a dentadura não a deixava rir com o tamanho todo da boca, por isso preferia ter um sorriso maior, do que ser mais bonita. Não insisti e percebi o que ela já sabia.

“Retrato de família” é uma viagem, através de objetos, pelas memórias do tempo passado na casa da avó Lucinda. Depois desta visita, num dia 7 de um mês qualquer, uma barragem rompeu-se e o rio ocupou todo o tamanho do leito original. Desde então corre tranquilo e sereno, em direção à foz.

Para "Filhas da Mãe", na Casa da Cultura de Fafe, de 8 a 28 de Março.